15 maneiras de não incitar ódio no universo da música pop

Dentro de um contexto social e político mundial em que pessoas com pensamentos discriminatórios, preconceituosos e conservadores estão cada vez mais encorajados a destilar sua raiva e intolerância, acredito que devemos, todos os dias, nas mais pequenas coisas, nos vigiarmos para não alimentar nenhum discurso de opressão ou agressão. E especialmente nós, fãs da música pop, presenciamos e vivenciamos algumas peculiaridades presentes neste universo cultural que estão diretamente ligadas à discursos de ódio, tanto em comentários nas redes sociais como nas brincadeiras em rodas de amigos, PRINCIPALMENTE em relação às divas pop.

Preocupado com isso, decidi listar algumas atitudes e lições que podemos tomar para que esse ambiente de adoração a ídolos possa se tornar mais saudável. Até porque esse mesmo meio é repleto de pessoas que já presenciam intolerância todos os dias simplesmente por serem quem são. Vale lembrar que essa é apenas a seleção de alguns itens, existem muitas outros que devem ser discutidos e que continuarei a abordar em textos no futuro.

É importante dizer que em muito momentos estarei falando sobre exigências e padrões da sociedade para com as mulheres, mas apenas como observador desses casos na indústria fonográfica. Muitas vezes, em pequenas rodas de conversa, já vi amigas reclamando de alguns desses pontos que irei comentar brevemente, é delas que parte muito do meu embasamento.

1 – Existe uma diferença enorme entre críticas construtivas e ataques de raiva, saibam escolher as palavras.

Coloquei esse como o primeiro item porque considero importante para que o restante do texto seja melhor compreendido. Em NENHUM momento estarei buscando lançar shade ou ficar pregando a desvalorização de alguém ou alguma coisa, então não façam interpretações erradas. E, ao mesmo tempo que digo isso, introduzo vocês a questão da criticidade.

Todos nós podemos tecer críticas a tudo que existe e é produzido na indústria cultural. Costumo dizer que a única diferença entre o público e a “crítica renomada” é a posição e local de fala em que se encontram. Claro que tenho consciência de quem muitos deles estudam e observam com mais atenção algumas características mais específicas dos trabalhos, mas para mim a maioria das músicas são feitas para expressar sentimentos. E, para começar, se um cantor fez uma música e você se sentiu bem com ela, parabéns, não vai ser a Billboard que tirará o mérito dessa sensação agradável trazida pela canção.

Entretanto, mesmo que você considere o trabalho de um artista muito ruim, tome cuidado com a força de suas palavras.

Sendo didático, pensem em uma situação onde você publica uma foto em uma rede social com um efeito amarelo que pode não agradar muita gente. Além de você perceber, e se importar, com o fato de que o número de interações é inferior ao das fotos publicadas anteriormente, será ainda pior se os comentários forem parecidos com “está parecendo um personagem dos simpsons” ao invés de simplesmente alguma pessoa sensata te dizer “talvez um outro efeito fique melhor”.

Se coloquem no lugar daqueles à quem irão dirigir a palavra. Existe uma diferença gigantesca entre “não gostei” e “é ruim”.

Percebam também que essa “dica” deve ser dada a vários veículos midiáticos, já que a escolha errada das palavras não está sendo feita apenas pelos consumidores dos comentários de Facebook, Twitter e Instagram, como também por aqueles que produzem as notícias. Inclusive o próprio Portal Famosos Brasil, que passou a levar essa orientação como política séria dentro da redação.

2 – Não alimentar a rivalidade feminina.

A pior parte de presenciar discussões entre pessoas que comentam música pop é provavelmente a luta insana, e completamente desnecessária, para tentar provar que a artista “x” é melhor que a artista “y”. É claro que algumas se destacam em algumas coisas, mas qual é a necessidade da comparação? Em que vai adiantar a sua tentativa de “provar” para seu coleguinha no Twitter que Demi Lovato é “melhor” que Selena Gomez? No final das contas elas continuaram com públicos diferentes, com fã bases fiéis e com o seu talento sendo exposto para todo o mundo.

Essa tentativa de criar uma rivalidade às vezes é tão grande, e sem cabimento, que acabam ferindo a vida pessoal dos envolvidos, notícias falsas e boatos tomam conta da internet sobre coisas que muitas vezes não foram nem ditas.

Porque deve existir uma melhor? Falar sobre como a rivalidade feminina é alimentada na música pop renderia uma outra reflexão muito maior, mas por hora ISSO TUDO É SÓ PRA RELEMBRAR VOCÊS DE QUE: TEM ESPAÇO PRA TODAS, PAREM DE COLOCÁ-LAS UMAS CONTRA AS OUTRAS!

Ainda há tempo para falar de Katy Perry em 2017?

3 – Não alimentar rivalidade alguma.

Por mais que aconteça muito pouco, a rivalidade entre homens dentro da música pop também é alimentada por alguns fãs – mas é sempre bom lembrar que não chega nem próximo do que é feito com as mulheres. O ponto aqui é reforçar que não devemos ficar incentivando, e esperando, indiretas e “grandes barracos” no universo pop. Deveríamos festejar performances icônicas como Britney Spears dançando com um cobra ou Lady Gaga no VMA de 2009 ao invés de esperarmos um “pisão” por desavenças pessoais que deveriam ser resolvidas com diálogo.

Outra coisa, cada cantor tem seu estilo próprio, por mais entediante ou animador que seja, imagine o quão prepotente seria estar frente a frente com um artista que está a mais de 20 anos na estrada e pedir para que ele vá “aprender” a fazer música.

4 – Aceitar que nem todo mundo é obrigado a gostar de sua/seu fave.

Nem existe muito sobre o que falar nesse item, é só lembrarmos que gosto é que nem cabeça (ou qualquer outra parte do corpo em que esse ditado se encaixar), cada um tem a sua. Não importa quantos recordes seu ídolo tem e nem o quanto ele vende, se o teu coleguinha não gosta da voz, do estilo ou da personalidade, simplesmente não adianta forçar.

5 – Não desmerecer o sucesso de nenhum artista.

Gente, pra que? São horas e horas no estúdio, compondo e produzindo, por mais irritante que seja o autor, não é justo dizer que o mesmo não merece o que conseguiu. Por mais que saibamos que existem diversos privilégios devido a certos preconceitos estruturados na sociedade, como as discriminações heteronormativas e étnicas, devemos lembrar que todos estão dando duro pelas suas conquistas.

6 – Você não é melhor, ou pior, que ninguém simplesmente por ouvir artistas desconhecidos ou de outras nacionalidades.

Quando falamos em cultura pop, temos que ter em mente que ela transcende o gênero musical. Um exemplo disso é Nicki Minaj, que, por mais pop que já tenha sido, não deixa de ser uma rapper que está inserida no universo das divas, bem como até mesmo as Kardashians que por vezes são inseridas nesse mesmo meio.

Seguindo nessa linha de pensamento, temos diversos admiradores de gêneros como indie, rap, hip hop e K-pop que também estão incluídos aqui. E quando um artista dessa linhagem se destaca, existe uma resistência por parte da comunidade acostumado com as divas pop. O maior exemplo disso é a negação que k-popers enfrentam.

Eu realmente achei que a época “rock melhor que funk” tinha passado, mas agora parece que ela se transformou nessa ridicularização dos e das fãs da música asiática. No final das contas muita coisa nesse texto vai girar em torno de “se liga que as pessoas tem gosto diferentes, obrigado”. Afinal, deixar comentários como “who?” nesse tipo de publicação não vai diminuir o mérito do artista que já se tornou grande o suficiente para se tornar pauta.

7 – Aprender que desempenho em charts  atuais não definem a carreira de grande lendas.

Citei isso porque nos últimos anos muitos tem se questionado sobre qual o rumo do pop, todos esperando por uma “salvadora”, fazendo parecer que as cantoras já consagradas não estavam fazendo música boa.

Não existe “flop” algum que vá tirar a coroa de Madonna, nem as centenas de prêmios e impacto de Britney e Gaga, ou os números gigantescos da Rihanna, o Spotlight Awards da Katy, os recordes da Mariah, e nem mesmo o poder da Cher (e por ai vai com outros artistas surpreendentes).

Diga logo que a ama: Demi Lovato e a síndrome do “flop” que nunca existiu

8 – Perceber que sucesso não se resume à Billboard.

Por mais que os Estados Unidos sejam o país com mercado musical mais lucrativo, temos que parar de super valoriza-los tanto. Prova disso é a força que o Brasil e os países hispanohablantes, da América latina, tem tomado com streaming. Querem exemplos? Vocês tem noção que nós brasileiros conseguimos com o lançamento de “Vai Malandra“? Ou do sucesso tremendo que “Despacito” já tinha antes mesmo do remix com Justin Bieber?

Não é por que estar fora da Billboard que é “flop”. Pode entrar “New Rules“, que já era hit mundial antes mesmo de aparecer no top 10 estadunidense.

9 – Parar com gozações sobre doenças mentais, isso não ajuda a curar as vítimas.

Devíamos estar, além de acostumados, sensibilizados com os assédios que as grandes celebridades sofrem todos os dias, pelo menos o suficiente para não ficarmos falando besteiras quando as mesmas falam sobre suas superações e lutas. Será que ver a Britney em 2007 não foi o suficiente? Será que fotos no Instagram, como as dos tratamentos de saúde que Selena tem feito, não são o bastante para que paremos de achar que isso tudo é usar de uma doença para alavancar sua carreira?

São seres humanos, com histórias pra contar, e não simplesmente máquinas que vão até o estúdio e emprestam suas vozes para “novidades concretas” ou álbuns novos.

10 – Entender que opiniões mudam, pessoas mudam, o mundo muda.

Pra esse item vou usar algo que falei em um outro texto falando sobre Miley Cyrus:

“Miley é a representação do nosso dia a dia. Todos mudamos, tal como nossas paixões e gostos. Ela mergulha dentro de suas fases e aproveita tudo que consegue. Provavelmente ainda nem tenhamos conhecido todas as suas facetas. Acostumem-se.”

Se uma cantora mantém seu estilo, sem muitas mudanças, as pessoas criticam dizendo que é só faz “mais do mesmo”. Se uma cantora muda sua identidade com frequência, dizem que ela na realidade não tem personalidade nenhuma. Eu particularmente fico muito feliz em saber que o mundo está em constante mudança, porque assim tenho esperança de algumas coisas/pessoas mudem para que eu não precise me decepcionar tanto com a humanidade. Ao que tudo indica, vai ter sempre gente reclamando.

***DEIXEM AS PESSOAS USAREM SUA LIBERDADE CRIATIVA***

Afinal, quem é a nova Miley Cyrus?

11 – Não praticar Cyberbullying.

Algo que vejo muito são alguns ataques às características físicas tanto da cantora que está sendo criticada quanto de seus fãs. Alguns se referem a Beyoncé e Rihanna com xingamentos extremamente racistas, estúpidos ao ponto de coisas como relembrar o caso da agressão da caribenha dizendo que ela merecia ter “apanhado mais”. Outro exemplo foi o 2017 de Katy Perry que foi extremamente atacada por cortar seu cabelo e mantê-lo curto. Uma mulher não pode mais ter o controle de sua própria aparência?

A tentativa de ofensa já não ajuda em nada, mas é pior ainda quando se estrutura em características corporais que fogem do padrão esperado pela sociedade. Precisamos lembrar que se tratam de cantoras, e como já diria Adele: “Eu não faço música para os olhos, faço música para os ouvidos”.

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12 – Todo grande artista já foi um “who”

Essa mania de olhar para os novatos da indústria fonográfica e tentar desmerecê-los com o argumento de que ninguém os conhecem é muito desonesto. Nem todo mundo nasceu sendo a Blue Ivy, observada e esperada pelo mundo todo. Sua mãe é uma bela demonstração de alguém que teve que batalhar muito para conseguir ser considerada o grande ícone que é hoje.

Ou seja, para esses artistas iniciantes, cada novo milhão de visualizações é um passo enorme, é um grande marco. Os deixem crescer cada vez mais, admirem seu crescimento e os apoiem. No futuro serão essas as vozes que estarão nas rádios e nas grandes playlists de hits de aplicativos de streamings.

13 – Entender que você não define o que é bom ou ruim.

A única coisa que você define é o que lhe agrada e o que não lhe agrada, beijos.

14 – Este é mais um item dedicado a não criar rivalidade entre as cantoras.

Afinal, só pra lembrar, não é necessário provar que ninguém é melhor que ninguém, são todas merecedoras e tem seu espaço.

15 – Se você não tem algo bom pra dizer, não diga nada.

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